Era Uma Vez

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Era uma vez Breno Silveira, diretor de cinema, caiu no colo dele dirigir a história de Zezé di Camargo e Luciano como seu primeiro longa. Uma bomba. Tava na cara que ia sifu e acabar ali. Dirigiu, fez história, foi indicado ao oscar, não ganhou, mas virou o Orson Welles brasileiro. Foi fazer o segundo filme. Fim.

É mais ou menos assim que fica a história de Silveira depois de dirigir Era Uma Vez, o pior filme brasileiro da década (Cinderela Baiana foi no fim dos anos 90, né?). Poucas vezes vi tantas tosqueiras em um filme, mas nunca foram presentes no trabalho de um cineasta que parecia ser tão promissor.

Breno Silveira pode se tornar uma espécie de Lenny, atacante do Palmeiras. Quando começou, todo mundo apostava e ofereceram milhões de propostas, mas logo logo todo mundo achou que tinha se enganado. E até hoje ele ainda tenta provar que não.

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(Thiago Martins), morador do Cantagalo, não conhece o pai e perdeu um irmão para o tráfico, blá blá Cidade de Deus rules. Consegue levar uma vida honesta, trabalhando em um quiosque onde vê todos os dias Nina (Vitória Frate), sua grande paixão. Os dois se conhecem e numa vibe Romeu e Julieta vão enfrentar o mundo pelo seu amor e o direito de terem filhos flamenguistas no nordeste. Até porque torcer pro Sport é um saco, né?

As atuações são uma das poucas coisas que se salva do filme. Em especial, Rocco Pitanga que encarna um personagem cheio de reviravoltas que deveriam torná-lo totalmente inverossímil, mas Pitanga consegue emprestar um pouquinho de verdade. Martins e Vitória também se esforçam, mas é até difícil avaliar em meio a diálogos tipo “O que é certo?” com uma pretensão absurda de explicar as desigualdades sociais. Alô? Capitão Nascimento deixou recado?

Não é que não possa haver uma história de amor dessa forma depois de Tropa de Elite. O problema do filme é seu desenvolvimento. Se atores e fotografia vão bem, todo o resto se joga no lixo. O roteiro possui diálogos toscos e previsíveis, desfechos absolutamentes clichês e que não causam nenhum impacto. Eu brinquei de quantas cenas acertava o que ia acontecer…E não perdi.

Pra se dar uma idéia da falta de qualidade pela primeira vez na minha vida como cinéfilo eu vi uma sala inteira gargalhar diante de um final dramático. É mais ou menos como se você começasse a rir descontroladamente diante do final de Dançando no Escuro, por exemplo. Quando o filme tinha que comover, ele faz rir pela sua tosqueira.

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Os personagens são absolutamente clichezados. Enquanto Dé é um inocente torcedor do Flamengo, um dos vilões do filme é um malvado traficante bêbado e…vascaíno. Aliás, só nesse filme a gente vê um líder de tráfico adolescente ser preso, ficar vivo por uns dez anos, voltar e retomar a liderança. Peixe pequeno quando cai, morre. E todo mundo que conhece um mínimo da realidade de uma favela sabe disso.

Em algumas cenas que deveriam comover a direção usa o recurso novelesco de colocar uma música melodramática com som alto. Caramba, a coisa só piora. Houve vezes em que pensei que um dos atores pegaria em um cadáver, olharia para cima e gritaria Khaaaaan…Digo…Nãaaaaaaao! É grave a crise, pessoal. Eu quase me levantei e fui embora umas cinco vezes. E olha que curti aquele filme do Cazuza.

Uma avaliação completa de um filme tem que levar em consideração todo seu contexto. Dá pra sacar que Silveira dirigisse um filme pior do que o primeiro, mas não dá pra entender que ele traia os princípios básicos do bom cinema pipoca. Era Uma Vez não surpreende, não comove, não diverte e sequer consegue trazer algo novo para o debate das desigualdades.

O filme se coloca como um conjunto dos piores aspectos do cinema brasileiro: excelente fotografia e ótimas atuações que se perdem em roteiro ruim, direção fraca e uma pretensão que não cabe na telona. Ou, pelo menos, não cabe na capacidade de quem dirige. O Leblon de Manoel Carlos não pode explicar a favela para o subúrbio e muito menos para os favelados. E Breno Silveira, pelo visto, também não.

Era melhor quando ele falava só de música sertaneja…

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4 Respostas to “Era Uma Vez”

  1. andré Says:

    pra mim, nem as atuaçoes salvaram!

    tirando o rocco pitanga e o porteiro, que rouba o filme.

    o casal principal é muito recém-saído das aulas de teatro, da pra notar todos os cacoetes que ensinam em curso. naturalidade zero. alem disso, todos os personagens têm o seu “momento oscar” onde choram, gritam, esperneiam e xingam toscamente, mas acham que tão abafando. sutileza foi pro espaço.

    o pior é que se nota o quanto todo mundo ali acha que está fazendo uma obra-prima.

  2. Thiago Cruz Says:

    Que isso! será que a globofilmes ta dando 1 real pra cada post favorável ao filme ou eu vi o filme errado? Porque Era uma vez, definitivamente, é um dos piores, senão o pior filme que já vi no cinema!

    Ok, o filme é não é mau produzido. Tem uma boa fotografia e uma atuação que, mesmo que muito longe de grandes personagens surgidos em filmes que também tratam das favelas cariocas, como Tropa de Elite e Cidade de Deus, é agradável e suficiente. Mas todos sabemos que um grande filme é 80% um bom roteiro. Hoje em dia, por exemplo, vemos que animações toscas de lápis, como o Simon’s Cat no youtube, fazem grande sucesso. Ou então aqueles que preferem jogos antigos aos novos, com belos gráficos e uma história que não convence. Era uma vez é assim, não convence. E pior, chega a ser cômico sua mediocridade.

    Não me venham com a desculpa de que o filme é uma história história “inocente”, “meiga”, “simples, mas comovente” ou o eufemismo utilizado na crítica do O GLOBO “A história é um conto de fadas urbano — bobinha, sim (algum conto de fadas não é?), mas nem por isso menos cativante. (…) Breno Silveira constrói seus filmes com o olhar de uma criança que não se priva de sonhar”. O problema não é o olhar de uma criança sonhadora, mas seus argumentos muito provavlemente foram feitos por alguma. Como ao menos alguns meios de comunicação tiveram a coragem de colocar, o filme é totalmente previsível. Para piorar, o filme consegue juntar previsibilidade com cenas que na verdade não tem nenhuma justificativa plausível ou verossimilhança. Parece que colocaram o que se queria no filme em tópicos e colaram com diálogos e acontecimentos totalmente fracos e pouco intrigantes. Mas ainda conseguiram não colocar argumentos que simplismente não colam!

    Eu poderia até ter ficado quieto e adimitido que sou um pouco ranzinza, já que minha namorada se empolgou um pouco mais com o clima de romance do filme. Mas Breno Silveira me apunhalou no final, com seu final patético. Quando o filme acabou, vi na cara das pessoas a cara de “hã?!”. O copo, que pra quem tinha mais de 10 anos de idade já teria transbordado, dessa vez não teve como não faze-lo. Sai então do cinema triste, não com o final trágico meia-boca, mas porque agora deixava de ser um ranzinza especial, para todo mundo concordar comigo. Virei um “Era uma vez”, um poço de lugares-comuns.

  3. Ivan Demóstenes responde André « Quinzeminutos.net Says:

    […] Demóstenes responde André André escreveu no post Era Uma […]

  4. Flai Brito Says:

    O pessoal aí é muito mal humorada. Eu gostei do filme e muito. Apesar de ser um filme de favela, e ter um fim trágico achei bem verossímel e os atores, apesar de novos, atuaram bem ao meu ver.
    Foi um filme agradável de ver, com as paisagens maravilhosa, a trilha legal e uma história boa de se ver.
    Saí feliz do cinema, valeu a pena com certeza. Recomendo.
    Talvez, por eu ser mulher, tenha gostado, os homens que escreveram antes, aqui, têm outra maneira de ver os filmes românticos. Por isso acho que eles não gostaram, preferem coisas mais secas.
    É isso.

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